terça-feira, 30 de abril de 2013

Jornada Mundial da Juventude Rio 2013

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
PARA A XXVI JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

2011
«Enraizados e edificados n’Ele... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7).
Queridos amigos!
Penso com frequência na Jornada Mundial da Juventude de Sidney de 2008. Lá vivemos uma grande festa da fé, durante a qual o Espírito de Deus agiu com força, criando uma comunhão intensa entre os participantes, que vieram de todas as partes do mundo. Aquele encontro, assim como os precedentes, deu frutos abundantes na vida de numerosos jovens e de toda a Igreja. Agora, o nosso olhar dirige-se para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que terá lugar emMadrid em Agosto de 2011. Já em 1989, poucos meses antes da histórica derrocada do Muro de Berlim, a peregrinação dos jovens fez etapa na Espanha, em Santiago de Compostela. Agora, num momento em que a Europa tem grande necessidade de reencontrar as suas raízes cristãs, marcamos encontro em Madrid, com o tema: «Enraizados e edificados em Cristo... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). Por conseguinte, convido-vos para este encontro tão importante para a Igreja na Europa e para a Igreja universal. E gostaria que todos os jovens, quer os que compartilham a nossa fé em Jesus Cristo, quer todos os que hesitam, que estão na dúvida ou não crêem n’Ele, possam viver esta experiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo e do seu amor por todos nós.
Na nascente das vossas maiores aspirações!
1. Em todas as épocas, também nos nossos dias, numerosos jovens sentem o desejo profundo de que as relações entre as pessoas sejam vividas na verdade e na solidariedade. Muitos manifestam a aspiração por construir relacionamentos de amizade autêntica, por conhecer o verdadeiro amor, por fundar uma família unida, por alcançar uma estabilidade pessoal e uma segurança real, que possam garantir um futuro sereno e feliz. Certamente, recordando a minha juventude, sei que estabilidade e segurança não são as questões que ocupam mais a mente dos jovens. Sim, a procura de um posto de trabalho e com ele poder ter uma certeza é um problema grande e urgente, mas ao mesmo tempo a juventude permanece contudo a idade na qual se está em busca da vida maior. Se penso nos meus anos de então: simplesmente não nos queríamos perder na normalidade da vida burguesa. Queríamos o que é grande, novo. Queríamos encontrar a própria vida na sua vastidão e beleza. Certamente, isto dependia também da nossa situação. Durante a ditadura nacional-socialista e durante a guerra nós fomos, por assim dizer, «aprisionados» pelo poder dominante. Por conseguinte, queríamos sair fora para entrar na amplidão das possibilidades do ser homem. Mas penso que, num certo sentido, todas as gerações sentem este impulso de ir além do habitual. Faz parte do ser jovem desejar algo mais do que a vida quotidiana regular de um emprego seguro e sentir o anseio pelo que é realmente grande. Trata-se apenas de um sonho vazio que esvaece quando nos tornamos adultos? Não, o homem é verdadeiramente criado para aquilo que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente. Santo Agostinho tinha razão: o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti. O desejo da vida maior é um sinal do facto que foi Ele quem nos criou, de que temos a Sua «marca». Deus é vida, e por isso todas as criaturas tendem para a vida; de maneira única e especial a pessoa humana, feita à imagem de Deus, aspira pelo amor, pela alegria e pela paz. Compreendemos então que é um contra-senso pretender eliminar Deus para fazer viver o homem! Deus é a fonte da vida; eliminá-lo equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, a privar-se da plenitude e da alegria: «De facto, sem o Criador a criatura esvaece» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 36). A cultura actual, nalgumas áreas do mundo, sobretudo no Ocidente, tende a excluir Deus, ou a considerar a fé como um facto privado, sem qualquer relevância para a vida social. Mas o conjunto de valores que estão na base da sociedade provém do Evangelho — como o sentido da dignidade da pessoa, da solidariedade, do trabalho e da família — constata-se uma espécie de «eclipse de Deus», uma certa amnésia, ou até uma verdadeira rejeição do Cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de perder a própria identidade profunda.
Por este motivo, queridos amigos, convido-vos a intensificar o vosso caminho de fé em Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Vós sois o futuro da sociedade e da Igreja! Como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos da cidade de Colossos, é vital ter raízes, bases sólidas! E isto é particularmente verdadeiro hoje, quando muitos não têm pontos de referência estáveis para construir a sua vida, tornando-se assim profundamente inseguros. O relativismo difundido, segundo o qual tudo equivale e não existe verdade alguma, nem qualquer ponto de referência absoluto, não gera a verdadeira liberdade, mas instabilidade, desorientação, conformismo às modas do momento. Vós jovens tendes direito de receber das gerações que vos precedem pontos firmes para fazer as vossas opções e construir a vossa vida, do mesmo modo como uma jovem planta precisa de um sólido apoio para que as raízes cresçam, para se tornar depois uma árvore robusta, capaz de dar fruto.
Enraizados e fundados em Cristo
2. Para ressaltar a importância da fé na vida dos crentes, gostaria de me deter sobre cada uma das três palavras que São Paulo usa nesta sua expressão: «Enraizados e fundados em Cristo... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). Nela podemos ver três imagens: «enraizado» recorda a árvore e as raízes que a alimentam; «fundado» refere-se à construção de uma casa; «firme» evoca o crescimento da força física e moral. Trata-se de imagens muito eloquentes. Antes de as comentar, deve-se observar simplesmente que no texto original as três palavras, sob o ponto de vista gramatical, estão no passivo: isto significa que é o próprio Cristo quem toma a iniciativa de radicar, fundar e tornar firmes os crentes.
A primeira imagem é a da árvore, firmemente plantada no solo através das raízes, que a tornam estável e a alimentam. Sem raízes, seria arrastada pelo vento e morreria. Quais são as nossas raízes? Naturalmente, os pais, a família e a cultura do nosso país, que são uma componente muito importante da nossa identidade. A Bíblia revela outra. O profeta Jeremias escreve: «Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. É como a árvore plantada perto da água, a qual estende as raízes para a corrente; não teme quando vem o calor, a sua folhagem fica sempre verdejante. Não a inquieta a seca de um ano; continua a produzir frutos» (Jr 17, 7-8). Estender as raízes, para o profeta, significa ter confiança em Deus. D’Ele obtemos a nossa vida; sem Ele não poderíamos viver verdadeiramente. «Deus deu-nos a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho» (1 Jo 5, 11). O próprio Jesus apresenta-se como nossa vida (cf. Jo 14, 6). Por isso a fé cristã não é só crer em verdades, mas é antes de tudo uma relação pessoal com Jesus Cristo, é o encontro com o Filho de Deus, que dá a toda a existência um novo dinamismo. Quando entramos em relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos a nossa identidade e, na sua amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude. Há um momento, quando somos jovens, em que cada um de nós se pergunta: que sentido tem a minha vida, que finalidade, que orientação lhe devo dar? É uma fase fundamental, que pode perturbar o ânimo, às vezes também por muito tempo. Pensa-se no tipo de trabalho a empreender, quais relações sociais estabelecer, que afectos desenvolver... Neste contexto, penso de novo na minha juventude. De certa forma muito cedo tive a consciência de que o Senhor me queria sacerdote. Mais tarde, depois da Guerra, quando no seminário e na universidade eu estava a caminho para esta meta, tive que reconquistar esta certeza. Tive que me perguntar: é este verdadeiramente o meu caminho? É deveras esta a vontade do Senhor para mim? Serei capaz de Lhe permanecer fiel e de estar totalmente disponível para Ele, ao Seu serviço? Uma decisão como esta deve ser também sofrida. Não pode ser de outra forma. Mas depois surgiu a certeza: é bem assim! Sim, o Senhor quer-me, por isso também me dará a força. Ao ouvi-Lo, ao caminhar juntamente com Ele torno-me deveras eu mesmo. Não conta a realização dos meus próprios desejos, mas a Sua vontade. Assim a vida torna-se autêntica.
Tal como as raízes da árvore a mantêm firmemente plantada na terra, também os fundamentos dão à casa uma estabilidade duradoura. Mediante a fé, nós somos fundados em Cristo (cf. Cl 2, 7), como uma casa é construída sobre os fundamentos. Na história sagrada temos numerosos exemplos de santos que edificaram a sua vida sobre a Palavra de Deus. O primeiro foi Abraão. O nosso pai na fé obedeceu a Deus que lhe pedia para deixar a casa paterna a fim de se encaminhar para uma terra desconhecida. «Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça e foi chamado amigo de Deus» (Tg 2, 23). Estar fundados em Cristo significa responder concretamente à chamada de Deus, confiando n’Ele e pondo em prática a sua Palavra. O próprio Jesus admoesta os seus discípulos: «Porque me chamais: “Senhor, Senhor” e não fazeis o que Eu digo?» (Lc 6, 46). E, recorrendo à imagem da construção da casa, acrescenta: «todo aquele que vem ter Comigo, escuta as Minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa: Cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio a inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa e não pôde abalá-la por ter sido bem construída» (Lc 6, 47-48).
Queridos amigos, construí a vossa casa sobre a rocha, como o homem que «cavou muito profundamente». Procurai também vós, todos os dias, seguir a Palavra de Cristo. Senti-O como o verdadeiro Amigo com o qual partilhar o caminho da vossa vida. Com Ele ao vosso lado sereis capazes de enfrentar com coragem e esperança as dificuldades, os problemas, também as desilusões e as derrotas. São-vos apresentadas continuamente propostas mais fáceis, mas vós mesmos vos apercebeis que se revelam enganadoras, que não vos dão serenidade e alegria. Só a Palavra de Deus nos indica o caminho autêntico, só a fé que nos foi transmitida é a luz que ilumina o caminho. Acolhei com gratidão este dom espiritual que recebestes das vossas famílias e comprometei-vos a responder com responsabilidade à chamada de Deus, tornando-vos adultos na fé. Não acrediteis em quantos vos dizem que não tendes necessidade dos outros para construir a vossa vida! Ao contrário, apoiai-vos na fé dos vossos familiares, na fé da Igreja, e agradecei ao Senhor por a ter recebido e feito vossa!
Firmes na fé
3. «Enraizados e fundados em Cristo... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). A Carta da qual é tirado este convite, foi escrita por São Paulo para responder a uma necessidade precisa dos cristãos da cidade de Colossos. Com efeito, aquela comunidade estava ameaçada pela influência de determinadas tendências culturais da época, que afastavam os fiéis do Evangelho. O nosso contexto cultural, queridos jovens, tem numerosas analogias com o tempo dos Colossenses daquela época. De facto, há uma forte corrente de pensamento laicista que pretende marginalizar Deus da vida das pessoas e da sociedade, perspectivando e tentando criar um «paraíso» sem Ele. Mas a experiência ensina que o mundo sem Deus se torna um «inferno»: prevalecem os egoísmos, as divisões nas famílias, o ódio entre as pessoas e entre os povos, a falta de amor, de alegria e de esperança. Ao contrário, onde as pessoas e os povos acolhem a presença de Deus, o adoram na verdade e ouvem a sua voz, constrói-se concretamente a civilização do amor, na qual todos são respeitados na sua dignidade, cresce a comunhão, com os frutos que ela dá. Contudo existem cristãos que se deixam seduzir pelo modo de pensar laicista, ou são atraídos por correntes religiosas que afastam da fé em Jesus Cristo. Outros, sem aderir a estas chamadas, simplesmente deixaram esmorecer a sua fé, com inevitáveis consequências negativas a nível moral.
Aos irmãos contagiados por ideias alheias ao Evangelho, o apóstolo Paulo recorda o poder de Cristo morto e ressuscitado. Este mistério é o fundamento da nossa vida, o centro da fé cristã. Todas as filosofias que o ignoram, que o consideram «escândalo» (1 Cor 1, 23), mostram os seus limites diante das grandes perguntas que habitam o coração do homem. Por isso também eu, como Sucessor do apóstolo Pedro, desejo confirmar-vos na fé (cf. Lc 22, 32). Nós cremos firmemente que Jesus Cristo se ofereceu na Cruz para nos doar o seu amor; na sua paixão, carregou os nossos sofrimentos, assumiu sobre si os nossos pecados, obteve-nos o perdão e reconciliou-nos com Deus Pai, abrindo-nos o caminho da vida eterna. Deste modo fomos libertados do que mais entrava a nossa vida: a escravidão do pecado, e podemos amar a todos, até os inimigos, e partilhar este amor com os irmãos mais pobres e em dificuldade.
Queridos amigos, muitas vezes a Cruz assusta-nos, porque parece ser a negação da vida. Na realidade, é o contrário! Ela é o «sim» de Deus ao homem, a expressão máxima do seu amor e a nascente da qual brota a vida eterna. De facto, do coração aberto de Jesus na cruz brotou esta vida divina, sempre disponível para quem aceita erguer os olhos para o Crucificado. Portanto, não posso deixar de vos convidar a aceitar a Cruz de Jesus, sinal do amor de Deus, como fonte de vida nova. Fora de Cristo morto e ressuscitado, não há salvação! Só Ele pode libertar o mundo do mal e fazer crescer o Reino de justiça, de paz e de amor pelo qual todos aspiram.
Crer em Jesus Cristo sem o ver
4. No Evangelho é-nos descrita a experiência de fé do apóstolo Tomé ao acolher o mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo. Tomé faz parte dos Doze apóstolos; seguiu Jesus; foi testemunha directa das suas curas, dos milagres; ouviu as suas palavras; viveu a desorientação perante a sua morte. Na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, mas Tomé não estava presente, e quando lhe foi contado que Jesus estava vivo e se mostrou, declarou: «Se eu não vir o sinal dos cravos nas Suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e não meter a mão no Seu lado, não acreditarei» (Jo 20, 25).
Também nós gostaríamos de poder ver Jesus, de poder falar com Ele, de sentir ainda mais forte a sua presença. Hoje para muitos, o acesso a Jesus tornou-se difícil. Circulam tantas imagens de Jesus que se fazem passar por científicas e O privam da sua grandeza, da singularidade da Sua pessoa. Portanto, durante longos anos de estudo e meditação, maturou em mim o pensamento de transmitir um pouco do meu encontro pessoal com Jesus num livro: quase para ajudar a ver, a ouvir, a tocar o Senhor, no qual Deus veio ao nosso encontro para se dar a conhecer. De facto, o próprio Jesus aparecendo de novo aos discípulos depois de oito dias, diz a Tomé: «Chega aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente» (Jo 20, 27). Também nós temos a possibilidade de ter um contacto sensível com Jesus, meter, por assim dizer, a mão nos sinais da sua Paixão, os sinais do seu amor: nos Sacramentos Ele torna-se particularmente próximo de nós, doa-se a nós. Queridos jovens, aprendei a «ver», a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde está presente e próximo até se fazer alimento para o nosso caminho; no Sacramento da Penitência, no qual o Senhor manifesta a sua misericórdia ao oferecer-nos sempre o seu perdão. Reconhecei e servi Jesus também nos pobres, nos doentes, nos irmãos que estão em dificuldade e precisam de ajuda.
Abri e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-o mediante a leitura dos Evangelhos e do Catecismo da Igreja Católica; entrai em diálogo com Ele na oração, dai-lhe a vossa confiança: ele nunca a trairá! «Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus» (Catecismo da Igreja Católica, n. 150). Assim podereis adquirir uma fé madura, sólida, que não estará unicamente fundada num sentimento religioso ou numa vaga recordação da catequese da vossa infância. Podereis conhecer Deus e viver autenticamente d’Ele, como o apóstolo Tomé, quando manifesta com força a sua fé em Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!».
Amparados pela fé da Igreja para ser testemunhas
5. Naquele momento Jesus exclama: «Porque Me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditaram!» (Jo 20, 29). Ele pensa no caminho da Igreja, fundada sobre a fé das testemunhas oculares: os Apóstolos. Compreendemos então que a nossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está ligada à fé da Igreja: não somos crentes isolados, mas, pelo Baptismo, somos membros desta grande família, e é a fé professada pela Igreja que dá segurança à nossa fé pessoal. O credo que proclamamos na Missa dominical protege-nos precisamente do perigo de crer num Deus que não é o que Jesus nos revelou: «Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser motivado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para guiar os outros na fé» (Catecismo da Igreja Católica, n. 166). Agradeçamos sempre ao Senhor pelo dom da Igreja; ela faz-nos progredir com segurança na fé, que nos dá a vida verdadeira (cf. Jo 20, 31).
Na história da Igreja, os santos e os mártires hauriram da Cruz gloriosa de Cristo a força para serem fiéis a Deus até à doação de si mesmos; na fé encontraram a força para vencer as próprias debilidades e superar qualquer adversidade. De facto, como diz o apóstolo João, «Quem é que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é Filho de Deus?» (1 Jo 5, 5). E a vitória que nasce da fé é a do amor. Quantos cristãos foram e são um testemunho vivo da força da fé que se exprime na caridade; foram artífices de paz, promotores de justiça, animadores de um mundo mais humano, um mundo segundo Deus; comprometeram-se nos vários âmbitos da vida social, com competência e profissionalidade, contribuindo de modo eficaz para o bem de todos. A caridade que brota da fé levou-os a dar um testemunho muito concreto, nas acções e nas palavras: Cristo não é um bem só para nós próprios, é o bem mais precioso que temos para partilhar com os outros. Na era da globalização, sede testemunhas da esperança cristã em todo o mundo: são muitos os que desejam receber esta esperança! Diante do sepulcro do amigo Lázaro, morto havia quatro dias, Jesus, antes de o chamar de novo à vida, disse à sua irmã Marta: «Se acreditasses, verias a glória de Deus» (cf. Jo 11, 40). Também vós, se acreditardes, se souberdes viver e testemunhar a vossa fé todos os dias, tornar-vos-eis instrumentos para fazer reencontrar a outros jovens como vós o sentido e a alegria da vida, que nasce do encontro com Cristo!
Rumo à Jornada Mundial de Madrid
6. Queridos amigos, renovo-vos o convite a ir à Jornada Mundial da Juventude a Madrid. É com profunda alegria que espero cada um de vós pessoalmente: Cristo quer tornar-vos firmes na fé através a Igreja. A opção de crer em Cristo e de O seguir não é fácil; é dificultada pelas nossas infidelidades pessoais e por tantas vozes que indicam caminhos mais fáceis. Não vos deixeis desencorajar, procurai antes o apoio da Comunidade cristã, o apoio da Igreja! Ao longo deste ano preparai-vos intensamente para o encontro de Madrid com os vossos Bispos, os vossos sacerdotes e os responsáveis da pastoral juvenil nas dioceses, nas comunidades paroquiais, nas associações e nos movimentos. A qualidade do nosso encontro dependerá sobretudo da preparação espiritual, da oração, da escuta comum da Palavra de Deus e do apoio recíproco.
Amados jovens, a Igreja conta convosco! Precisa da vossa fé viva, da vossa caridade e do dinamismo da vossa esperança. A vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce-a e confere-lhe renovado impulso. Por isso as Jornadas Mundiais da Juventude são uma graça não só para vós, mas para todo o Povo de Deus. A Igreja na Espanha está a preparar-se activamente para vos receber e para viver juntos a experiência jubilosa da fé. Agradeço às dioceses, às paróquias, aos santuários, às comunidades religiosas, às associações e aos movimentos eclesiais, que trabalham com generosidade na preparação deste acontecimento. O Senhor não deixará de os abençoar. A Virgem Maria acompanhe este caminho de preparação. Ela, ao anúncio do Anjo, acolheu com fé a Palavra de Deus; com fé consentiu a obra que Deus estava a realizar nela. Pronunciando o seu «fiat», o seu «sim», recebeu o dom de uma caridade imensa, que a levou a doar-se totalmente a Deus. Interceda por cada um e cada uma de vós, para que na próxima Jornada Mundial possais crescer na fé e no amor. Garanto-vos a minha recordação paterna na oração e abençoo-vos de coração.
Vaticano, 6 de Agosto de 2010, Festa da Transfiguração do Senhor.
BENEDICTUS PP. XVI

Sucesso

Este é um dos melhores textos que já li e ouvi falar!


Discurso do publicitário Nizan Guanaes como paraninfo de uma turma de formandos em Administração de Empresas na Bahia.



"Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.



Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo. E ela responde: Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem, como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassú. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina.

Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.

É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tendo consciência de que, cada homem foi feito, para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.

O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.

Por último, peço-lhes que, em tudo que fizerem, no trabalho e fora dele, amem e honrem a Bahia. Amem a Bahia sobre todas as coisas, exceto Deus. Terra especial, verdadeiramente mágica, esta cidade já era a capital do Atlântico quando Nova Iorque era uma vila. 70% dela é negra. E o negro deu a ela tudo especial que ela tem, com exceção do mar.





Pois, façamos nós, administradores de hoje, uma Bahia racialmente democrática, orgulhosa de si mesma. E que o exemplo de Maria Quitéria, Joana Angélica, de nossos pais que lutaram por nós em Itaparica, nos inspirem a uma Bahia guerreira. A Bahia que conduziu o Brasil à independência, conduza agora o Brasil à prosperidade. Ama a tua terra. Cada pedra desta cidade é sagrada. Cada pedaço dela foi erguido com sangue. Ninguém tem mais motivos para ser herói que um baiano. Poucas terras foram agraciadas com tanto motivo para viver e para morrer. Com poucos, Deus foi tão generoso em riquezas e talentos. Num mundo conturbado, temos alegria. Nem a Suíça em sua fartura pode competir com esta Bahia pobre, que canta, sabe Deus porque e como.

Por isso mesmo, meu amigo, não tenha medo em nenhum momento do seu percurso. Mesmo que você não creia, haverá sempre a seu lado um Orixá. Um ser encantado. Fazendo milagres a seu pedido. Encantando os estrangeiros com seu jeito e seu sotaque. Derretendo a má vontade com seu sorriso. Porque, mesmo que você não mereça, Deus decidiu, sabe lá porque, lhe proteger. E, tendo tanto lugar nesse mundo para colocar você, o criador lhe tirou da fila e, sabe lá porque, lhe deu uma senha privilegiada e a responsabilidade de nascer na Bahia"

Ser Baiano é:



Mais um texto do publicitário NIZAN GUANAES
"Quando eu conheci Jorge Amado em Paris, ele me levou para almoçar num bistrô perto do seu apartamento no Marais. Ao longo do caminho, fiquei pensando em algo bem inteligente para impressionar o grande escritor.

Ao sentarmos à mesa ele disparou: 'Nizan, você já reparou como a bunda da mãe Cleusa é grande?' A Bahia é assim. Desconcertante. Pense num absurdo, multiplique por dois: na Bahia já aconteceu. Há em Salvador uma casa funerária que se chama Decorativa e uma companhia de táxi aéreo que se chama BATA (Bahia Táxi Aéreo). É dentro deste espírito esportivo que a Bahia surpreende desde 1500.

Caetano Veloso me disse rindo que os baianos e os judeus se julgam raças eleitas e (sic) que ambos têm razão. Se somos ou não raça eleita, há controvérsias. Mas que é uma raça privilegiada não há dúvida. Castro Alves, Rui Barbosa, Jorge Amado, Assis Valente, João Gilberto, Caetano, Gal, Gil, Betânia, Daniela Mercury, Glauber Rocha, Dorival e Nana Caymmi, Raul Seixas, Ivete Sangalo e agora Piti.

Não pode ser coincidência. E não é. É fruto da energia que o índio enterrou e que o português descobriu misturado com o axé que o negro trouxe. É essa energia que buscam os cansados, os estressados, os sem esperança, os de alma ou cadeira dura. E a Bahia os escolhe com sua graça e sua benção.

Dianne Vreeland diz na peça Full Gallop, grande sucesso na Broadway, que o azul mais bonito é o céu da Bahia. Tudo na Bahia tem luz, sobretudo as pessoas. Que em sua simplicidade, com sua fé, com suas peles negras e dentes alvos, dançam, cantam e iluminam um mundo rico, mas cada vez mais pobre.

Um desses endinheirados, mas pobre de espírito, certa vez resolveu pegar no meu pé, numa festa, e me perguntou: 'Se a Bahia é tão boa, porque você não mora lá?'. O Orixá me ajudou e eu respondi na lata: 'Porque lá não me destaco, todos são baianos."

Palavras de uma amiga:

"Um dia falei pra você de como é engraçado o fato das pessoas criarem fortes laços. Eu sinto que o laço que envolve a nossa amizade é muito forte. Ainda bem!


Cê sabe que eu gosto, e muito, das coisas que são escritas por você. Parecem palavras mágicas que tem um efeito imediato na vida das pessoas. Amo ler seus textos, mas confesso que fico sem palavras sempre que termino a leitura.

Acredito que na vida é preciso encerrar ciclos, colocar pontos finas ou ponto parágrafo, iniciar novos textos... No nosso caso sinto que um novo texto foi iniciado. Isso é algo que eu coloco no balaio das coisas boas da vida.

Finalizando, quero te agradecer pelas palavras, lindas palavras, que fazem com que eu me sinta melhor. Obrigado pelos comentários, o que acabou por gerar uma nova postagem.
Valeu õ/


SOCIAL

63 - 10 dicas de como não sofrer golpes ao fazer compras online;

62 - Cuidado com a crise;

61 - Ryan Lochte e a Histeria da Rede Globo;

60 - O que a periferia nos dá?

59 - A certeza da morte;

58 - A onda atual de desmobilização;

57 - A vista da janela;

56 - O serviço político;

55 - A incoerência dos armamentistas;

54 - Não quero ver você ir;

53 - O julgamento vingativo;

52 - Pós-Olimpíadas;

51 - O legado da Rio 2016;

50 - A autoridade perdeu o juízo;

49 - A educação é o caminho;

48 - Um jeito a mais de ensinar;

47 - Escola precisa de autonomia;

46 - Ideia legislativa;

45 - Impedimento na Câmara;

44 - Atos dos apócrifos;

43 - VILA MOISÉS: 1º ANO;

42 - PT x PMDB?

41 - E nem deu errado. O ENEM deu certo!

40 - Mulher Negra, Homem Negro.

39 - A Paz esteja conosco!

38 - Educadores Sociais;

37 - Conflitos em sala de aula;

36 - Chacinas legais;

35 - Agressões: qual a postura do(a) professor(a)?

34 - 3 meses de Luto;

33 - Pena de morte para quem?;

32 - Quem quer matar bandidos, também é bandido;

31 - Em quem o Itaú votou?;

30 - Chega de Violência e Extermínio de Jovens;

29 - O desserviço de Rachel Sheherazade ao povo brasileiro;

28 - O Voto Crítico em Dilma;

27 - Vida para todos;

26 - O que aprender com a derrota (Copa 2014);

25 - Recitei IV;

24 - Recitei III;

23 - Recitei II;

22 - Recitei I;

21 - A culpa é de quem?;

20 - Sobre Bolsa "Crack", maioridade penal e a morte do "Matemático":

19 - A mudança clama para existir:

18- Conversas sobre a redução da maioridade penal

17 - Politicagem?;

16 - Cotas: Segregação!

15 - Propaganda da Devassa, racista?;

14- Isso é Carnaval!;

13- Fokker 100 - Morto pela Imprensa;

12- Não tenho mais Palavras!;

11- Remedeia Brasil! Remedeia que a Ferida está ENORME!;

10- Xenofobia não!;

9- Pare e Pense;

8- Causa e Efeito;

7- O que vocês deveriam saber;

6- Quem está no controle agora?;

5- Brincando com a Morte;

4- Eleições 2010: O que você vei fazer?;

3- Et Cétera;

2- Baiano Preguiçoso?;

1- BBB por Antônio Barreto.

PAIXÕES

12 - Surpresas de Aniversário

11 - Nosso Soneto;

10 - Sentimentos de uma vida;

9 - Os passos da Vida;

8 - Soneto da Paixão;

7 - Final Feliz;

6 - Soneto da inspiração;

5 - Sobre o Amor?

4- O que se deve esperar do Amor;

3- Oração Trindade do Amor;

2- Parabéns a uma Ex;

1- Uma declaração.



CRENÇAS E RELIGIÕES

35 - Por que ignoram as Pastorais?

34 - Eu creio no Amor;

33 - 43º CrisJovem - PJ Salvador

32 - Somos Igreja Jovem em Saída;

31 - Pastoral é de processo;

30 - Amigo PJoteiro, amiga PJoteira;

29 - A Igreja do século XXI;

28 - Uma explosão de cores no Facebook;

27 - A fé que nasce do povo;

26 - É melhor morrer do que perder a vida

25 - Sentimentos do Encontro Nacional da PJ;

24 - A mudança do símbolo;

23 - Pensando na Morte;

22 - Os profetas e a pobreza;

21 - Mensagem aos Jovens que foram à JMJ;

20 - O "Pacto das Catacumbas" para uma Igreja serva e pobre:;

19 - Quem é esse(a) tal homossexual?;

18 - O que Maria não diria:;

17 - A PJ te representa?;

16 - RESSUSCITOU!;

15 - Life Gods - Gilberto Gil e Marisa Monte;

14 - Pastoral da Juventude e Teologia da Libertação;

13- Porque sou PJoteiro;


12 - Resposta à Carta Aberta - Pe. Fábio de Melo;

11- Minha fé é maior do que a sua?;

10- Preservativo não é totalmente seguro contra DST;


9- Jornada Mundial da Juventude Rio 2013;


8- Guilherme de Sá - Testemunho;


7- Porque Rosa de Saron:;


6- Eu Amo Maria, E Você?;


5- Todo mundo;


4- Católicos: Voltem para Casa;


3- Cura Interior;

2- Quem Ama espera. Castidade? Ou Prazer?;


1- Igreja Católica e camisinha.

AMIZADES

10 - A vista da janela;

9 - Amigo PJoteiro, amiga PJoteira;

8 - Redação do ENEM 2014;

7- Porque sou PJoteiro;

6- Palavras de uma Amiga:

5- Ser Baiano é:

4- Sucesso;

3- Derrotas;

2- A Humildade é a Alma dos negócios;

1- Uma primeira impressão:.

sábado, 20 de abril de 2013

Conversas sobre a redução da maioridade penal:

Muito tem-se falado sobre os projetos que há no parlamento para mudar a constituição e diminuir a Maioridade Penal, como forma de garantir mais segurança à pessoas.
Pois bem, como Cristão Católico Apostólico Romano PJoteiro que sou, preciso defender a opinião que não é só minha, mas de muita gente desse país.




Bom, dá até para resumir tudo: Se você é a favor da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL, há duas possibilidades:
1 - Se a renda de sua família é maior do que R$4100,00 por mês, então você está de acordo com sua classe (opinião injusta, mas está valendo);
2 - Se renda de sua família é menor do que R$4100,00 por mês, então você é alienado(a) e deve parar de assistir televisão (está agindo contra os ideais do seu próprio povo).

Mas, como sabemos, mesmo que muitas pessoas concordem com a nossa opinião, a maioria dos comentários são contra, pois as pessoas geralmente só comentam quando discordam. 
Então, para embasar mais o que acabei de falar, aqui vão alguns argumentos, seguidos de links importantes para completá-los:

Para quem não sabe:
A Igreja Católica é contra
A OAB é contra
A UNICEF é contra
O Ministro da Justiça é Contra
E a PJ, a qual eu faço parte, como sempre defensora da Vida, contra a violência e o extermínio dos jovens, também é contra.

Mesmo antes desse assunto estar sendo tão comentado, mas sempre vinha à tona, quando acontecia um crime bárbaro cometido por um adolescente, eu já era contra, mesmo sem tantos argumentos. Hoje, que tenho muito mais, tenho certeza do que digo: é um problema muito maior do que colocar adolescentes na cadeia.

1 - A cadeia não reabilita ninguém. Está muito mais para escola do crime organizado do que reintegração à sociedade.
2 - Apenas 1,4% dos crimes cometidos por adolescentes são esses tais crimes bárbaros que reacendem o debate, principalmente defendido pela TV.
3 - No código penal, a última instância que deve ser considerada é a prisão. Mas os brasileiros pensam que deve ser a primeira.
4 - A educação, o lazer, as políticas públicas para inclusão de todos, é que devem receber investimentos, e não a construção de mais cadeias.

Os estados Unidos têm um dos códigos penais mais "eficaz" e duro do mundo. Nem por isso eles têm menos presos, muito pelo contrário, é o país com mais presos do mundo. No Brasil, só quem realmente vai preso é o pobre, pois os ricos conseguem advogados que conhecem as falhas do sistema e os livra facilmente. Vide os acusados de corrupção. O Brasil é o único país do mundo que não prende corruptos.
Os adolescentes são punidos sim. As fundações de reabilitação para os adolescentes são severas também. A única diferença é que eles ficam no máximo 3 anos cumprindo medidas sócio-educativas, ou até reclusão integral; e depois de cumprida, eles saem sem ficha suja, com uma "nova chance". Você já visitou a FUNDAC? E a fundação CASA?

A criminalidade é um problema social que vai muito além de punir as consequências. Uma criança que rouba é consequência, não é a causa. Precisamos de políticas que punam, de maneira correta e severa, os causadores da criminalidade, que são os grandes traficantes, os bandidos de colarinho branco, as milícias, etc. São esses que devem pagar, e não quem é vítima.

O adolescente que não tem comida em casa, que vê no tráfico uma oportunidade melhor do que o trabalho braçal (e é mesmo), não é o único, nem o maior culpado da história. É muito mais vítima, desse sistema que exclui, que não dá moradia, educação, saneamento, trabalho digno, etc, para que ele tenha uma vida humanizada. Aí vem os poderosos, que não estão nem aí para tudo isso e só querem se livrar desses adolescentes, tirando-lhes toda e qualquer chance de se alguém na vida. Afinal, quanto menos concorrência, quanto menos pessoas brigando por seus direitos existir, melhor para o Capitalismo, melhor para as elites. 

Lembremos do Ladrão que estava ao lado de Jesus, na Cruz... Todos ali o julgaram.
Até os apóstolos de Cristo não acreditavam que o ladrão crucificado ali, poderia ser bom. Mas Deus conhece o coração de cada um. Conhece a história de vida, as oportunidades que cada um teve na vida.
Temos que entender que colocar um adolescente na cadeia é um movimento elitista que está remediando, ao invés de prevenir. Estamos dizendo que os fins devem justificar os meios.
É ser imediatista, como tudo que acontece no Brasil. Vamos negar todo o contexto histórico os menos favorecidos do nosso País, todo o contexto cultural em que estamos inseridos, para dizer que um ato-consequência é a Causa de todos os nossos problemas.

Site 18 Razões contra a redução da maioridade penal;

Ninguém é a Favor de Bandidos, é você que não entendeu nada;

Posição da CNBB;

Ministro da Justiça se posiciona;

Presidente da OAB critica o projeto da redução;

Mais argumentos;

Documento da UNICEF;

Nota da Pastoral da Juventude;

Subsídio Semana da Cidadania 2013;

Link da minha postagem no Facebook;

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Axé! Awerê!





Alguns, quando "encontram" o "Axé" e o "Awerê" ditos em todos os encontros da PJ, se espantam e acham que somos loucos. Mas quando eu os encontrei, senti que havia encontrado, também, o meu lugar. É chato, na verdade muito chato, o que um PJoteiro tem que passar para manter seus ideais e sua fé intactos, pois sofremos muitos golpes de quem está perto, mas não entende nosso jeito de ser. 

Encontrei na Pastoral da Juventude a alegria de olhar o outro, aquele que reza diferente, mas nem por isso erroneamente; aquele que, por ocasiões da vida, age diferente de nós, mas nem por isso está fora do melhor da vida; como participantes de uma única roda. Nós valorizamos a cultura indígena, pois sabemos o quanto o "Cristianismo" destruiu a história dos donos dessas terras. Acreditamos que Jesus jamais iria aceitar que a crença fosse imposta, com chicotes, sob pena de morte. Valorizamos a cultura afro-brasileira, as religiões afro-descendentes; porque sabemos que nossa ignorância, ao proibirmos os negros de celebrarem conosco, os fez cultivar o seu próprio jeito de louvar, dançar e adorar. Valorizamos a Terra, pois temos um compromisso "eterno" com os pobres e os oprimidos. E quem é mais oprimido do que nossa mãe natureza, nossa casa Terra? Lutamos pela igualdade social. Lutamos contra o Capitalismo, sim! Lutamos contra a redução da maioridade penal. Lutamos contra o Extermínio de Jovens. Lutamos a favor da Vida. Defendemos a vida do outro, e do outro, e do outro, antes da nossa. Buscamos viver com o amor que as primeiras comunidades cristãs viviam. Buscamos agir como os apóstolos agiam. É por isso que muitas vezes esbravejamos, e gritamos, e dizemos "não é assim que deve ser".

É por isso que muitas vezes criamos "inimigos", porque não queremos hierarquia, não queremos poder, queremos horizontalidade, queremos humildade. Sonhamos com o dia em que os "Cristãos poderosos" lavarão os pés dos oprimidos, dos favelados, dos mendigos, dos encarcerados. Esperamos pelo dia que os "Reis" deixem seus tronos, suas "cúpulas", seus "castelos" e venham cear conosco, aqui na periferia, aqui no morro, aqui em baixo de alguma ponte, ali num asilo, num abrigo. Mas não fazemos só palavras, nós agimos dessa forma. Para nós, onde há uma ciranda, onde há alguém pregando a essência do Evangelho, ali está o sagrado. Onde há um simples pastor, cuidando de suas ovelhas e ensinando-as a ser pastoras, ali está a essência do Amor.

Não queremos fama, nem multidões aos nossos pés. Queremos ser respeitados e pessoas que unam-se a nós lado a lado. Queremos que cada um tome suas práticas diárias como testemunho, pois é somente isso que muitos terão como exemplo.

Queremos construir o Reino de Deus, a Civilização do Amor. Somos Pastoral da Juventude. Somos #SonhoFéELuta.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A PJ te representa?


Navegando pelo Facebook, hoje, me deparo com a seguinte imagem:



Li vários comentários e eu não iria comentar, pois, pela Constituição Federal, todos têm direito de se expressar, desde que não seja anonimamente. Apenas disse aos PJoteiros que não ligassem, num primeiro comentário. Mas como a Administradora da página, mesmo sem identificar-se, disse que foi ela quem tirou a foto, eu resolvi esclarecer alguns pontos:


Agora eu vou opinar:
A Pastoral da Juventude não representa muita gente. Isso é verdade sim!
Há 50 milhões de jovens no Brasil. Nem a Igreja Católica do Brasil inteira seria capaz de representá-los. Não há estrutura, não há pessoas comprometidas suficientemente, não há abertura ao acolhimento, para 50 milhões de jovens em nossa Igreja. Se alguém discorda, mostre-me a possibilidade com bons argumentos e eu retratarei-me.

Nós precisamos, sim, de pessoas com opiniões contrárias. Afinal, somos igreja Santa e composta por pecadores, SIM! Nós não acertamos sempre, tanto a PJ como qualquer outro grupo, movimento, ou pastoral. Mas para a adm da página, o que você quer que a PJ faça, está especificado no Documento 85 da CNBB como Setor Juventude. O que representa (ou deveria representar) toda a juventude da Igreja, é o Setor Juventude, o qual a PJ faz parte. A Pastoral da Juventude não tem o interesse de fazer tudo por todos os jovens, pois isso acarretaria na nossa perda de identidade. O Setor Juventude, sim! Ele reúne todos os grupos, movimentos e pastorais que trabalham, de alguma forma com Jovens. Mas eu coloco minha mão no fogo, que em muitas dioceses do Brasil, o Setor Juventude se sustenta na PJ. Sabem de quem é o erro? Dos outros movimentos, dos outros grupos e das outras pastorais que não se movimentam para compor do Setor. A PJ nunca deixará de trabalhar, porque os outros não estão trabalhando. É por isso que nós construímos muita coisa que é feita com o nome do Setor. Nós não levamos a fama, nem queremos; nós só fazemos porque nos preocupamos com os jovens. Se não houver o DNJ, o BoteFé, a Jornada de Espiritualidade Jovem; como nossos jovens ficarão? É isso que pensamos, é por isso que trabalhamos, mesmo que sozinhos.

Agora, se você quer saber quem é o Jovem que a PJ representa, eu vou lhe dizer:
1 - O Documento de Puebla, de 1979, oficializa, na Igreja Latino-Americana (a maior das 23 igrejas que têm comunhão com o Vaticano), a opção preferencial pelos pobres e pelos jovens. Ou seja, um jovem que é pobre é opção prioritária da igreja. Em outros documentos, como o 85 da CNBB e o de Aparecida, a igreja latino-americana reafirma esse compromisso.

2 - Nas Décadas de 60 e 70 a "ação católica brasileira" tomou conta das "obras", das mobilizações da nossa igreja, em nosso país. Lutando contra a ditadura, a favor dos mais pobres, da reforma agrária, contra a fome, contra a violência que se empregava ao povo, enfim, contra toda forma de opressão.

3 - Dentro da Ação católica,, haviam vários grupos: Juventude Agrária Católica, Juventude estudantil Católica, Juventude Independente Católica, Juventude Operária Católica e Juventude Universitária Católica. Nesse momento, tem-se o conhecimento da Teologia da Libertação, que estava surgindo. A Teologia da Libertação tem, como essência, a libertação do povo oprimido, que por consequência, é a libertação do Próprio Cristo, que habita nessas pessoas e as torna tão dignas de vida em abundância como qualquer europeu, classe alta (este que já tem uma vida muito mais fácil do que os oprimidos. Ou não?)

4 - A Pastoral da Juventude, juntamente com a Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude Rural e a Pastoral da Juventude do Meio Popular, surgiram desse encontro: a Ação Católica com a Teologia da Libertação.

5 - Assim, a PJ nunca quis representar todos os jovens, mas sim, agir de forma que os pobres jovens tenham seus direitos respeitados, que suas famílias sejam restauradas, que o Cristo que vive em cada jovem oprimido, receba comida, água, seja vestido, seja visitado enquanto preso, receba abrigo, não pereça.

6 - Quer queira, ou não, esse cenário de opressão é consequência do Capitalismo (ou não?). Eu lhes digo o saldo do Capitalismo:
1 Bilhão de pessoas vivendo bem, até melhor do que necessitam para viver, causando a obesidade e o desperdício;
4,5 Bilhões de pessoas que trabalham duro, só fazem isso da vida (não têm tempo para lazer, praticar esportes, viajar, nem descansar), ganham um salário que mal dá para viver e seu suor sustenta cada uma das pessoas que vivem bem;1 Bilhão de pessoas passando fome, sobrevivendo com, no máximo, 20 dólares por mês, comendo biscoitos de barro para não morrer, sofrendo as mazelas das doenças erradicadas no "primeiro mundo" há quase 100 anos, sem direito a moradia, saneamento básico, alimentação mínima possível, nem educação.
Tirem suas próprias conclusões.

Aí vem a pergunta: e o jovem que não é da periferia, que não sofre opressão, que não tem fome física?
Muitos jovens que têm dinheiro, veem seus amigos, e até pais, oprimindo outras pessoas. Se esse jovem é cristão, tentará ajudar, de forma que ninguém seja injustiçado. Isso já é um enorme ato pastoral.
Outra coisa, muitos jovens sofrem com a fome espiritual, são oprimidos e injustiçados, mesmo nas camadas mais altas da sociedade. Eles são nossa prioridade também! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados.

Não sei se lerão, mas para falar de PJ, é preciso vivê-la, e estudar muito. Coisa que pouquíssimos jovens estão dispostos a fazer. Talvez por isso tantos pensem que a PJ não os quer representar.

Link da postagem AQUI.